quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Lei do Senhor é Perfeita...


O título deste post é uma afirmação clara das Escrituras no Salmo 19.7. Mas quais são as implicações disso? O que essa afirmação significa? Segue alguns apontamentos:
Em primeiro lugar isto significa que ela é a perfeita revelação da vontade de Deus para o homem. Em contraste com os escritos humanos onde aqui e ali encontramos apenas certa faísca de sabedoria, na lei de Deus encontramos a plena luz, a perfeita, e, absoluta sabedoria.[1] Mais que isso, se alguém é instruído na lei de Deus não carece de mais nada que seja indispensável à justiça, como bem disse o apóstolo Paulo
“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” II Tm 3.16-17.

Repare que ser “perfeito” e estar “perfeitamente” habilitado para toda boa obra são frutos do uso da lei de Deus que é útil e perfeita para cumprir o propósito de Deus em nós. A perfeição da lei sugere ainda que ela é completa, é acabada, não carece de acréscimo, não está sujeita ao aprimoramento. Via que regra, os homens criam e aprimoram sua criação, acrescentando novas tecnologias em busca da perfeição. No caso da lei de Deus o acréscimo não melhora, ao contrário, estraga, corrompe, macula a sua perfeição.
Em segundo lugar significa que a lei nos obriga a uma “... obediência pessoal, inteira, exata e perpétua”.[2]  Por “obediência pessoal” entendemos que o cumprimento da lei é de responsabilidade de cada indivíduo diante de Deus. Não negamos que o contexto social em que vivemos influencie nosso comportamento, não negamos que o “deus deste século” (I Co 4.4) atue na vida das pessoas de maneira a levá-las a prática do mal, mas ainda assim, entendemos que somos agentes livres, e que por isso, o principal responsável por nossos atos somos nós mesmos. Deus mesmo nos ensina que a responsabilidade nesse sentido é pessoal “a alma que pecar essa morrerá” (Ez 18.4).
Assim, esta responsabilidade não pode ser transferida à sociedade, ao Estado, às hostes malignas, à situação econômica do país, ao “sistema”, ou mesmo à condição social do indivíduo, sua família e etc.
Por uma obediência “inteira” entendemos que aqui não é suficiente uma obediência vacilante e negligente, mas é necessária uma obediência inteira e completa a todos os preceitos da lei de Deus, e isto, com a máxima perfeição e com o mínimo grau de pecado, pois “... qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). A mais leve desobediência nos condena e diante da lei somos tão culpados quanto os outros. E esta mínima desobediência é suficiente para nos condenar no tribunal de Deus.
Por obediência “exata” significa que devemos obedecer exatamente como nos prescreve o Senhor Deus. Aqui boa intenção somente não basta, o que vale é o guardar exatamente as palavras, os preceitos e os mandamentos de Deus. Para aclarar nosso entendimento deste ponto, duas situações podem ser acrescentadas como exemplos para nós.
A primeira é narrada em Levíticos 10.1-2, com a morte dos dois filhos de Arão, o sumo sacerdote. Seus filhos, Nadabe e Abiú foram reprovados e mortos pelo Senhor por apresentarem um “... fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara”. Obedecer exatamente é fazer aquilo que o Senhor Deus nos ordena, e mais que isso, da forma com que ele nos ordena. Nadabe e Abiú certamente não atentaram para a forma e ofereceram aquilo que o Senhor não lhes ordenara, por isso, foram mortos. Deus requer obediência não somente quanto ao fim, mas também quanto aos meios. De maneira que chegar a um determinado fim que Deus nos ordenou sem utilizar os meios ordenados por ele é o mesmo que desobedecê-lo.
A forma com que obedecemos também é importante.
O segundo exemplo está narrado em II Samuel 6.1-7, quando o rei Davi se dispõe a trazer a Arca para Jerusalém, e no caminho diz o texto que ao chegarem em
Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e a segurou, porque os bois tropeçaram. Então, a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverência; e morreu ali junto à arca de Deus”.

Vejamos as especificações sobre como se deveria transportar a Arca de Deus: Êxodo 37.1-5 nos diz que a Arca deveria ser transportada pelos levitas e não por bois, como propôs Davi (Nm 7.4-9); em Números 4.15 está escrito “... nas coisas santas não tocarão para que não morra”, Uzá toca na Arca, e a partir daí a boa intenção de Uzá em impedir que a Arca caísse não foi aceita por Deus, o que Deus queria mesmo era a obediência exata a sua palavra que dizia ao homem exatamente como fazer, as pessoas certas para fazer e os meios certos de fazer (Ex 37.10-15).
No contexto de culto acertadamente nos adverte a Confissão de Fé de Westminster que
“... o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestão de Satanás...” XXI.I

Por fim, a obediência “perpétua” preceitua que devemos uma obediência eterna a lei de Deus. A Lei de Deus reflete a sua santidade e perfeição, sendo Deus eterno e imutável sua Lei também têm valor eterno e imutável. Sendo assim, o que é justo fazer hoje será justo para sempre.


[1] João CALVINO, O Livro dos Salmos, vol. I, São Paulo-SP: Ed. Paracletos, 1999, p. 424.
[2] A Confissão de Fé de Westminster, XIX.I.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Gratidão


I Ts 5.18
“Em tudo daí graças porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”
A nossa gratidão a Deus é o resultado da certeza de que Ele cuida de nós e que, de fato, não existe acaso, nem sorte, azar ou destino fatalista. Deus é Quem nos guarda! Portanto, em todas as circunstâncias, podemos encontrar motivos para agradecer a Deus, certos de que Ele é o Senhor da história e nada nos acontece à parte do seu governo sobre nós, e que tudo o que nos ocorre tem um sentido proveitoso para a expressão de nossa vida: física, emocional, psíquica e espiritual. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). O “bem” dos filhos de Deus é tornar-se cada vez mais identificado com o seu Senhor (Rm 8.29-30).
Quando Paulo recomenda aos tessalonicenses “em tudo dai graças”, fala a uma jovem igreja perseguida, pressionada no início de sua fé. Todavia, nossa fé amadurece à medida em que conseguimos, pela graça, superar as adversidades dos fatos, reconhecendo a direção bondosa de Deus.
O próprio apóstolo já vivera isso quando preso com Silas em Filipo. Diz o texto que  Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam” (At 16.25).
            Somente quem está de fato consciente que Deus cuida de nós em todos os momentos em todos os lugares e em todas as situações é capaz de cantar louvores quando a dor aperta, quando o dinheiro falta, quando o corpo envelhece, quando a doença chega.

Sou Cristão



Quando digo: “Sou Cristão!” Não estou gritando: “sou limpo de mãos!”,
Mas sussurrando: “estive perdido e fui achado. E de todos os meus pecados, perdoado”.
Quando digo “Sou cristão!”, na verdade não digo isso por vaidade! Mas confesso que tropecei um dia. E que Cristo me buscou como meu
Salvador e guia.
Quando digo “sou cristão!”, sem dúvida não estou querendo dizer que sou rico e forte;
Mas reconheço que sou fraco e pobre, e preciso de Seu poder para manter a vida.
Quando digo “sou cristão!”, confesso que não estou falando de sucesso,
Mas estou admitindo que errei o alvo. E que precisei de Cristo para ser salvo.
Quando digo “sou cristão!” Não estou clamando por perfeição.
Meus erros estão sempre diante de mim,
Mas meu Deus me ama mesmo assim.
Quando digo “sou cristão!” Ainda sinto o ferrão do pecado no coração,
Compartilho da dor e do sofrimento humano.
E por Seu nome santo diariamente clamo.
Quando digo “sou cristão!” Não quero ser mais santo que você, meu irmão,
“Sou um pecador, nada mereço e da graça de Deus, sempre careço”.

Do original “I’m a Christian”
Maya Angelou

A Morte Chega a Todos...


Post publicado em 31.07.11
Chegou para Amy Winehouse no último dia 23. A cantora de apenas 27 anos teve uma carreira curta, recheada de polêmicas e escândalos em sua maioria causados pelo seu envolvimento com álcool e drogas pesadas. Em algumas de suas últimas apresentações seu público não conseguia entender as palavras que ela falava, foi noticiado que a cantora não conseguia sequer segurar o microfone e cantar suas músicas em função do abuso das drogas.
A morte chegou também para John Stott, no último dia 27. Aos 90 anos de idade Stott morreu em decorrência de complicações de saúde relacionadas à sua idade avançada. Stott era um dos mais destacados e importantes teólogos contemporâneos da Igreja Evangélica. Pregador evangelista, pastor, conferencista internacional, autor de vários livros cristãos excelentes. Pastoreou a Igreja de All Souls (todas as almas) em Londres durante décadas, também serviu como capelão e conselheiro da família real da Inglaterra.
Fora o fato de que os dois falecimentos ocorreram e Londres, há uma realidade evidente que diferencia estas duas pessoas na vida e na morte: Na vida – Winehouse teve uma vida marcada pelo pecado; Stott marcada pela santidade; Winehouse usou seus talentos para si mesmo; Stott usou-os para a glória de Deus. Na morte – enquanto o mundo chora a morte de Amy Winehouse; os crentes louvam a Deus e agradecem pela vida John Stott;  Winehouse morreu trazendo no corpo as marcas das drogas e do álcool; Stott trazendo no corpo as marcas de Cristo; para Amy a morte foi o salário do pecado; para Stott a morte foi o servo que abriu as portas do paraíso. Stott está com Cristo experimentando as delícias do céu e da comunhão com Deus. Winehouse pelo que a sua vida nos revela enfrenta agora a dura realidade daqueles que morrem sem Deus, e que recusaram a sua graça, que viraram as costas para o perdão oferecido em Cristo Jesus. E pior que isso, ainda aguarda o terrível dia da ira do Cordeiro, o dia da sentença de condenação eterna. Temos diante de nós dois exemplos, duas vidas, dois caminhos, dois destinos “então, hoje, te declaro... que te propus a vida e a morte, a benção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas... amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele, pois disso depende a tua vida” Dt 30.19-20.