sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tributo a Legião Urbana – A Alma Faminta de Renato Russo


Assisti pela Mtv ao vivo o tributo à Legião Urbana. Já havia visto cenas dos ensaios e fiquei bastante curioso. Wágner Moura um fã declarado exerceu a função de “vocalista” não quis ser Renato Russo, fez o melhor que pode, não atrapalhou foi bem, na minha modesta opinião.
No sofá de casa e sozinho um misto de melancolia e saudosismo foi preenchendo o ambiente, eu ainda sabia quase todas as músicas que marcaram época, amigos e colegas e diversas situações, de riso e de choro vieram a memória facilmente, embora mais de riso que de choro, e por isso ri sozinho.
            Mas não me imaginem em frente a televisão fazendo gestos de quem teria uma guitarra nas mãos cantando “agora santo cristo era bandido destemido e temido no distrito federal, não tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general” podem acreditar, eu não fiz isso.
            O que foi me chamando a atenção nas músicas é que elas retratam uma alma faminta, inquieta, questionadora, inconformada e por muitas vezes depressiva. Talvez seja esse o fator do sucesso da banda, ter “tocado” no fundo de muitas outras almas famintas e sedentas. Foi me chamando atenção ainda perceber como grandes temas da filosofia, antropologia, e da teologia apareciam e de certa forma se entrelaçam entre essas matérias. Por exemplo, “quem me dera ao menos uma vez entender como um só Deus ao mesmo tempo é três, e esse mesmo Deus foi morto por você...”, a irônica celebração dos efeitos da depravação humana, os efeitos destrutivos do egoísmo humano, a menção de anjos e diabo, de bem e mal, e o pedido de socorro a “quem inventou o amor me explica por favor...” compreendendo que o amor é sentimento comunicado, e etc.
            A alma de Renato até este tempo não havia encontrado saciedade, embora peregrina, tateava no escuro, com inúmeras perguntas, poucas respostas corretas. Parafraseando Agostinho “Tu nos fizeste para ti e a nossa alma só encontra descanso em ti”, Renato não percebeu isso até então. Que havia um lugar para saciar a sede, uma pessoa que disse: Eu sou a água da vida, quem beber da água que eu der nunca mais terá sede, mas do seu interior fluirão rios de água viva, meu corpo é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida.
No fundo nossa alma anseia por um lugar, lugar de descanso e refrigério, nossa alma anseia por um porto seguro que põe fim a viagem tempestuosa de um mar revolto, anseia por uma cidade onde possa habitar, “Deve haver algum lugar” questionava Renato Russo numa de suas músicas. Sim! É claro que sim, há um lugar preparado para todos aqueles que beberam do sangue e comeram do pão vivo que veio dos céus. Sim! Claro que sim, há uma cidade santa, decorada para seu encontro com o seu rei, uma cidade onde Deus habita com o seu povo, onde a morte já não existe, onde toda lágrima foi enxuta, não há luto, nem pranto, nem dor, as primeiras coisas passaram.
“Quando tudo está perdido sempre existe uma luz, quando tudo está perdido sempre existe um caminho” espero que ele tenha encontrado a luz, o caminho, a luz do mundo, o caminho estreito, Jesus Cristo, e espero que o leitor também já tenha encontrado, o lugar, a bebida, a comida que traz refrigério e descanso, sacia a sede e a fome.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Sandy É Devassa!


                 A Sandy cresceu, envelheceu, e virou “devassa”.
            A boa mocinha da dupla Sandy e Júnior não existe mais. Sim! Aquela mocinha sempre bem vestida, recatada, de opiniões conservadoras, de valores familiares conservadores, que queria muito se casar virgem, e que inspirava crianças a serem boas mocinhas, e, que fazia com que os pais comprassem suas músicas, DVDs para suas preciosas filhinhas se foi.
A Sandy de hoje é diferente e faz de tudo para se desvincular daquela imagem de boa mocinha. Gradativamente ele vai conseguindo, embora muitos duvidem da sinceridade de suas opiniões em assuntos morais controversos.
Senão vejamos, Sandy mostrou o seu lado devassa e surpreendeu muita gente. Ela que anteriormente era a moça do suco e do guaraná, que tinha acordo contratual para não se associar a nenhum tipo de bebida alcoólica, por US$ 1 milhão, virou a garota das rodas de cerveja, a Devassa. Ela anteriormente símbolo do recato e pudor nacional, “dizem” soltou o verbo na revista Playboy, falou até sobre o possível prazer do sexo anal; a doce e meiga Sandy revelou ultimamente ser fã de “Ultimate Fighting” MMA, UFC isso mesmo, dizem que ela luta boxe; como se não bastasse, a antes conservadora dos valores da família, agora é a favor da descriminalização do aborto, e do casamento gay.
Já escrevi aqui sobre o aborto, o leitor se quiser pode consultar nas publicações anteriores.
O que chamo a atenção de meus leitores é que Sandy escolheu o caminho mais fácil, da mídia, do produto que vende mais, do caminho largo, da porta larga que muitos se aventuram em caminhar e entrar. É difícil nadar contra a corrente, andar na contramão do mundo e de seus valores. É muito fácil seguir o curso, é fácil dizer que comportamento gay está certo, que aborto está certo, que a prostituição é uma profissão como qualquer outra, é fácil optar pela frouxidão moral, para isso não precisa de muita inteligência, de cérebro, é só repetir a “reza” e pronto, são aplaudidos.
Difícil é ter posição firme e fundamentada, tendo que dar razões do que cremos e pensamos porque muitos são os questionamentos contrários. E aqui nós também pecamos, porque muitas vezes nosso conhecimento das Escrituras é raso, o que nos leva a vivermos uma fé rasa num deus raso.

     Sandy tem passado pela porta larga, caminhado pelo caminho da perdição que se contrapõe com a porta apertada e com o caminho estreito que conduz a vida. Tem buscado a glória que vem dos homens, negligenciando a salvação que vem de Deus.
        

quarta-feira, 21 de março de 2012

Sujos, Imundos e Mal-Lavados






A guerra de acusações que ronda o meio evangélico extrapolou as barreiras denominacionais e chegou ao âmbito nacional. Isso mesmo, todo o Brasil viu a matéria do repórter Marcelo Resende para o Domingo Espetacular, quem não viu pelo programa, viu na internet pelas redes sociais.
Uma guerra “evangélica” e diferente, bem diferente das guerras que nossos pais na fé degladiaram. Só para citar algumas: o apóstolo João degladiou contra o herege Cerinto, contra o dualismo gnóstico, contra os anticristos; degladiou firmemente em favor da plena encarnação do Filho de Deus; já os discípulos dos apóstolos guerrearam contra o Maniqueísmo, Montanismo, Novacionismo, contra os Donatistas; guerrearam contra as ideias anti-trinitárias de Ário de Alexandria, contra os doscetas que negavam a plena humanidade de Cristo, como se fosse este um fantasma. Vejamos as guerras dos Reformadores: Lutero contra os anabatistas, Calvino contra os papistas, enfim, os reformadores lutaram, foram homens que travaram guerras em favor das Escrituras como regra de fé; em defesa da salvação somente pela fé e não pelas obras; em favor de valores morais “puritanos”; em favor de uma Igreja mais santa.
Mas a guerra dos lobos vorazes vestidos em peles de cordeiros é pelo poder, pelo dinheiro, pelo sucesso, pela audiência. 
Outra diferença entre estas guerras é que os nossos pais não guerrearam contra os seus iguais, e sim contra os seus oponentes. Agora veja isso, depois do programa ir ao ar e da manifestação do Silas Malafaia, foi a vez do Valdemiro falar e fazer acusações com base na “revelação que recebeu de Deus”: sobre o repórter Marcelo Rezende, que ele chama de Marcelo Resenha, ele o acusa de fazer contratos fraudulentos com as emissoras, o esquema seria assim, dois contratos um para dedução de pensão alimentícia, outro o verdadeiro salário do repórter.
Valdemiro ainda é cômico, é descontraído tirando sarro do nome do repórter, se eu fosse o Marcelo “Resenha” dava o troco e diria “fica quieto ai oh Valdemônio Santiago” ou então, “cala a boca Valdemiro Salteador” ou juntava os dois “Valdemônio Salteador”, esse ficou ótimo. 
Sobre o Edir Macedo, Valdemônio faz tantas outras acusações, a linguagem utilizada por Valdemônio é típica de bandidos, pessoas com quem ele está acostumado a conviver, portanto, não faz parte do linguajar meu e de pessoas de bem, Valdemônio sugere que se levante a “capivara” dele e de Macedo. Eu não entendi bem isso, mas parece ser preocupante “será que além de rei do gado ele quer ser também o rei das capivaras, o rei da floresta, o tarzan”.
Para Silas Malafaia, Valdemiro e Macedo são farinha do mesmo saco, e eu concordo, isso mesmo irmão, a verdade mesmo quando sai da boca do ímpio você deve aceitá-la e Malafaia acertou e eu aceito. Mas, ele mesmo, o Malafaia é mais um lobo voraz entre o rebanho de ovelhas, tem menos ibope e menos dinheiro é verdade, mas é um oportunista de plantão, e faz de tudo, mesmo guerrear contra os seus iguais desde que isso seja mais uma oportunidade de ganhar um pouco mais de dinheiro.
As acusações que pesam sobre estas pessoas são de fraudes, contratos fraudulentos, lavagem de dinheiro, envolvimento com o tráfico de drogas, transporte de armas para munir traficantes, formação de quadrilha, enriquecimento ilícito, charlatanismo, em fim, estas pessoas estão mergulhadas em falcatruas e escândalos, safadezas e bandidagens, há muita impiedade nos atos destes adoradores de mamóm.
Ouvi dizerem por ai que esses escândalos abalam o meio evangélico, abalam nada! Não abala nem mesmo os seguidores destes “cães fraudulentos”, pois, eles são tão destituídos de senso crítico-bíblico que certamente continuarão levando para as mãos destes homens o seu dinheiro, seja pelo carnê da benção, seja pela campanha da prosperidade, seja comprando o livro de mil de reais, sim, eles continuarão vendendo as suas posses e entregando-as aos pés dos “seus” apóstolos. E também não abala aqueles cristãos sérios e maduros na fé, que “prova os espíritos”, que conhecem a Bíblia, pois, ela mesma nos adverte de que essas coisas aconteceriam. A nós não nos abala porque não temos vínculo nenhum com essas pessoas, elas certamente não estão lutando por nós, nem mesmo estão lutando as nossas guerras. Estamos do outro lado, do lado daqueles homens santos e piedosos que “pelejaram juntos pela fé evangélica” e aqui devemos ficar “aquele que está de pé cuide para que não cáia”.
E para terminar, na resposta que Valdemiro dá ao repórter Marcelo Rezende ele sugere um programa que daria muita audiência, coloca-lo frente a frente com Macedo. Acho que aqui esse programa não irá acontecer para nos entreter, mas pode ficar tranquilo Valdemônio, você e Macedo terão tempo suficiente para este encontro, pois, vocês vão para o mesmo lugar passar a eternidade, lá se suportarem bem a chapa quente poderão falar sobre isso regado a muito fogo e enxofre[1].
Graças a Deus não estarei lá pra ver, por enquanto posso me entreter melhor assistindo CQC.


[1] Não desconsidero o poder da graça de Deus em regenerar o coração destes homens e trazê-los em fé e arrependimento sinceros ao reino do Filho, o que escrevo diz respeito ao presente.

sábado, 10 de março de 2012

Neymar Vai Mau, Muito Mal...


            Estou na contramão, por isso o que passo a dizer agora pode parecer ridículo, mas o Neymar vai mal, muito mal.
Não, certamente não estou me referindo a sua última grande atuação pelo Santos, nem mesmo à sua conta bancária cada vez mais cheia. Mas o jovem rico Neymar vai mal. Falando em jovem rico me lembrei daquele descrito em Mt 19 e Lc 18. Dá até para enxergar algumas semelhanças, vejamos: ambos são jovens cf Mt 19.20; ambos riquíssimos cf Lc 18.23; ambos desfrutam de posição social elevada cf Lc 18.18, e ambos perdidos. E é bom parar por ai porque se seguirmos com as comparações o jovem rico vai dar de 10x0 no jovem Neymar, placar que o Neymar não está acostumado a levar, o máximo foi de 4x0. O jovem rico era virtuoso Lc 10.20, estava preocupado com a vida eterna, vai ao encontro de Cristo, observava os mandamentos, era íntegro, e de comportamentos morais elevados, diferente do Neymar que já foi flagrado em câmera de hotel fazendo festa com prostitutas em Porto Alegre; que não demonstra nenhuma preocupação com seu estado espiritual, pelo menos em suas manifestações públicas está longe disso; que pouco mais de um ano declarou-se cristão, e até agora a única preocupação que demonstrou foi de não visitar uma casa de crianças deficientes porque a instituição era espírita.
            Por isso, Neymar vai mau, muito mal.
O pior de tudo é ver muito pais que gostariam que o seu filho fosse o Neymar, não sabem eles que a educação que não conduz o filho a Cristo falhou, deve ser lamentada. A grande responsabilidade de uma educação cristã não é formar um médico, um advogado, um craque  e etc, e sim um cristão; duro é ver os moicanos se espelhando em Neymar; e para as que desejam ser “namoradinha” de Neymar, tomara que nunca consigam, porque aquela de 17 anos que conseguiu, que foi pra cama com ele, engravidou-se, deu-lhe um filho “o herdeiro”, e nem deu tempo dela recuperar-se da cesárea, em menos de um mês lá estava o Neymar, flagrado pela mídia com uma modelo num iate, uma moça talvez bem mais bonita que ela, é como dizem “a fila anda”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

José Maria Marin e o Roubo Da Medalha


Acredito que a maioria dos visitantes do Blog saibam que sou corintiano, por isso, na última quarta-feira, estava eu assistindo à final da Copa São Paulo, o equivalente ao Campeonato Brasileiro sub-18. Corinthians 2 x 1 Fluminense, festa no Pacaembu para os quase 40 mil corintianos.
            Para os que não estavam lá como eu, um fato roubou a cena, o roubo da medalha, isso mesmo, o Sr. José Maria Marin foi flagrado roubando uma medalha que deveria premiar algum jogador. Eu percebi o fato ao vivo, ele ficou com a medalha alguns segundos esperando um jogador para premiar, depois, tentando disfarçar, enrolou a medalha e sorrateiramente a colocou no bolso, resultado: o goleiro do time corintiano, Matheus, ficou sem a premiação naquele dia.
            O Sr. José Maria Marin é figura bastante conhecida em São Paulo, foi vice-governador de Paulo Maluf, e governador por 10 meses, também já ocupou o cargo de presidente da Federação Paulista de Futebol-FPF, atualmente é o presidente em exercício da Confederação Brasileira de Futebol-CBF.
            Acompanhei um pouco a repercussão do fato na internet e na televisão e a minha conclusão é de que de fato Nosso País Não é Sério. Porque simplesmente tratou-se do fato como piada, com humor e muita chacota, “ele é corintiano”  e etc. Isto nos impede de julgar as coisas com sobriedade.
            Pior de tudo foi a versão dada pela FPF de que tinha dado ao Sr. Marin uma medalha numa tentativa ridícula de tentar esconder o que os telespectadores viram, a medalha foi roubada, o ato de enrolar e meter no bolso escondidinho revela o ilícito. Deram nada, as medalhas estavam contadas e por isso faltou exatamente uma.
            Este Sr. Ladrão de medalha, num país sério, seria demitido do posto que ocupa, como medida exemplar para todos nós, a FPF deveria repudiar o roubo ao invés de desculpá-lo.
            Este homem foi capaz de roubar medalha de garotos, agora pense em quantos contratos ele assinou como governador, quanto dinheiro ele movimentou no Estado de São Paulo, com quantas empresas fez negócios, você se surpreenderia se houvesse um monte de falcatruas em muitas delas, e que muito dinheiro também foi roubado? Eu não. Na verdade, não me surpreenderia em nada se uma investigação mostrasse que grande parte do patrimônio deste Sr. não pode ser comprovado licitamente, justamente. Para mim quem rouba uma “simples” medalha rouba mais, muito mais desde que tenha oportunidades, é o caso do Sr. José Maria Marin, ele teve e pelo jeito continua tendo muitas oportunidades para roubar, se de fato o fez talvez algum dia saberemos, pois nem sempre temos uma câmera focado em nossas mãos.
            No entanto, os olhos de Deus são mais eficientes do que todos esses aparelhos juntos, e certamente acertará contas com o Sr. Ladrão de medalha, pelo roubo da medalha “e otras cositas mas”. “Quem é fiel no pouco é fiel também no muito” o contrário também é verdade, quem rouba medalhas também roub...
            Ah! mais uma coisa, senhores lojistas, grave bem a imagem deste homem, pois caso ele entre em sua loja, câmera nele, é o tipo que você não pode confiar.
            Veja o vídeo e imagine o que acontece nos bastidores do nosso futebol com homens como este e quando as câmaras não estão filmando


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pastor, posso tomar uma cerveja?



Chega o fim de ano e com ele várias ocasiões em que alguns cristãos se veem em um dilema, a saber: “posso ou não posso tomar uma cerveja?” Enquanto muitos ficam com água na boca ou de “boca seca” de vontade, outros sem pestanejar bebem sem culpa, de consciência tranquila. Aqui e ali os pastores são convidados a fazer alguns esclarecimentos quanto ao assunto. Que o embriagar-se é pecado claramente proibido nas Escrituras é evidente. Mas a questão aqui é o beber moderadamente, posso ou não posso? Via de regra, a grande vilã é a cerveja, vinho e champanhe estão presentes até mesmo em festas de fim de ano das igrejas. 

Quanto a este assunto, não estamos às escuras, de maneira especial o apóstolo Paulo tratou de questões semelhantes a esta, é o que encontramos a partir do capítulo 14 da sua carta aos romanos, o leitor em dúvida faz bem em ler.

Conhecer um pouco do contexto em que o apóstolo escreve esta carta nos ajuda muito. A igreja de Roma contava com duas classes principais de pessoas, “judeus e gentios” embora na sua maioria fosse formada por gentios cf. 1.6.
Neste contexto os chamados “débil e fracos” são parte dos judeus e dos gentios que frequentavam as sinagogas e viviam segundo os costumes judaicos, observando as normas alimentares prescrita na lei  cf. 14.14,20. Alguns haviam vivido por muito tempo sob o regime dos ritos da lei mosaica, e nutridos neles desde a infância; por isso, renunciá-los agora não era algo tão simples como o leitor possa pensar; os outros que jamais aprenderam tais hábitos se recusavam a obedecer este jugo de costumes. Este era o grande problema, os que viviam sob os ritos da lei mosaica queriam impor este comportamento a todos os demais da igreja. Esta era a debilidade e a fraqueza deles, escandalizavam-se com coisas não-essenciais ao evangelho como “comida e bebida”.
Mas havia uma deficiência mútua, do débil e fraco porque ainda estavam presos às sombras da lei mosaica; do forte e sábio porque sabendo do escândalo comia e bebia na presença do débil e fraco. Assim, menosprezando, ignorando e até mesmo ridicularizando a fé fraca e supersticiosa do fraco.
Lições da passagem bíblica:
No aspecto positivo devemos:
-          Aceitar os que são fracos (imaturos), na fé; 14:1
-          Aceitá-lo porque Deus o aceitou; vs 2-3
-          Aceitá-lo porque Cristo morreu e ressuscitou para ser Senhor de todos;
vs 4 e 9
-          Aceitá-lo porque ele é nosso irmão; vs 10
-          Aceitá-lo porque o reino é mais importante do que comida, bebida e distinção de dia; vs 17

No aspecto negativo:
-          Não discutir assuntos controvertidos com eles; vs 2
-          Não desprezar nem condenar o fraco; vs 2-3
-          Não destruir a obra de Deus; isso se refere à comunidade cristã, seus hábitos não podem causar divisão, contenda, intriga na comunidade cristã; vs 20
-          Não devemos viver para agradar a nós mesmos; 15:1
-          Cristo nos deu exemplo e não viveu para si mesmo; 15:3

Como devemos acolher os fracos?
-          Devemos acolher os fracos assim como Cristo nos acolheu; 15:7
Este último ponto talvez seja o que Paulo pretende deixar claro para nós, que essas coisas não devem servir de divisão, intrigas entre os irmãos, antes devemos acolher uns aos outros. Para viver em comunhão eu não posso viver agradando a mim mesmo. Então às vezes devemos deixar de comer ou beber aquilo que queremos para que nossa comunhão se fortaleça.           

Mas voltando à questão em foco, veja que o apóstolo resolve o problema colocando “comida, bebida e dia” na categoria de “não-essenciais” e pessoais
“Um crê que tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come... Um faz diferença entre dia e dia; outro julga igual todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” 14.2-3,5.

Era muito difícil para o judeu que vivera sob a tutela da lei deixar de reverenciar certos dias, e tocar alguns alimentos. O sinal inconteste da debilidade e fraqueza deles era defender que tais atitudes contribuíam para a piedade cristã, ou que era um grande sinal de vida piedosa. Ora, o reino de Deus “não é comida nem bebida” cf verso 17, por isso, não podemos associar vida piedosa à simples questão de “beber ou não beber (cerveja)” antes, o reino de Deus, a vida piedosa está associada à “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” verso 17.
Pastor, eu posso tomar uma cerveja? “... Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” vs 5 e “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” vs12. O que você não pode fazer, porque a Bíblia não te autoriza fazer é inferir que o que bebe é imaturo e mundano e o que não bebe é santo e piedoso, isso é um equívoco terrível.
Pastor, eu posso tomar uma cerveja? Sim, você pode se isso não for causar constrangimento, escândalo a um irmão fraco na fé. Para que isso não aconteça você deve evitar fazer isso em locais públicos, na presença de pessoas que não fazem parte do seu círculo mais íntimo de relacionamento. Não, você não pode se estiver na presença de fracos e débeis, se isso for motivo de intriga entre você e seu irmão. Sim e Não é a melhor resposta. Não significa ser hipócrita, pelo contrário significa ser cristão maduro, preocupado com a fé do outro, significa ter domínio próprio.
E por fim, quando menciona o débil e o fraco obviamente o apóstolo não pensava nos presbíteros, diáconos, estes por exigência do ofício deveriam ser sábios e fortes. Parece que em nossos dias há uma inversão de “temor”. Tememos ser surpreendidos pelo pastor, pelo presbítero, pelo diácono, pelo evangelista, pelo missionário, pelo professor da Escola Dominical e pouco nos preocupamos com os fracos, com o novo convertido, com os que ainda bebem o genuíno leite, que apesar de convertidos ainda lutam com o ranço do catolicismo, do misticismo e etc. A recomendação apostólica é que nos preocupemos com estes, que não possuem nenhum cargo na igreja.
“Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” I Co 10.31; “E tudo o que fizerdes, seja em palavra seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” Col 3:17; “Assim brilhe também vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” Mt 5:16.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

“Então é Natal, a Festa Cristã...”


“E o Filho de Deus se fez carne e habitou entre nós” isso é Natal!
Mas porque será que este fato incomoda tanto? Porque será que querem que isso fique no esquecimento? Foi por mal que em Cristo Deus foi chamado Emanuel?
É certo que o natal existe por causa de Cristo. No entanto, hoje é possível um natal sem Cristo. Como? Alguém poderia perguntar – simples respondo eu: Basta que nossa mesa esteja tão farta de frutas e comidas deliciosas; basta que nosso coração esteja tão “alegre” com o efeito da bebida; basta que nossa atenção esteja toda voltada àqueles que não víamos há anos; basta pensar que tudo não passa de uma confraternização e pronto, o Cristo do Natal foi substituído, e teremos um Feliz Natal sem Jesus.
Isso funciona muito bem para os adultos. Pobres adultos! Glutões e beberrões, cujos corações estão muito longe do reino de Deus, “que nem é comida nem bebida, mas alegria no Espírito Santo”, nem mesmo neste dia despertam suas consciências de que o natal é a lembrança de que Deus em Cristo nos visitou, de que no Cristo Encarnado e somente Nele há esperança de salvação eterna, para o enfermo e para são, para o rico e para o pobre, para o homem e para a mulher, para o branco e para o negro, para o adulto e para a criança, isso é natal, por isso uma festa cristã, que tem como principal personagem: Cristo.
Mas o que observamos é a grande capacidade que o homem caído tem de corromper as boas coisas de Deus. Comida e bebida são coisas boas e com elas deveríamos glorificar a Deus, e o que fazemos? Enchemos a cara e passamos mal de tanto comer. No Natal juntamente com a ansiedade de receber presentes, a comida e a bebida servem para nós de distrações, nos afastando do verdadeiro sentido de celebração, Deus conosco, Deus visitando seu povo, Deus habitou entre nós, ele se fez carne!
Já para as crianças substituíram o Cristo por coisas igualmente banais quando comparada a “coisa” principal. Uma massa de crianças que são esquecidas o ano todo são lembradas agora, alvos dos mais variados presentes: bonecas, bolas, jogos e etc. Elas também são pegas pelo estômago com doces, frutas e comidas gostosas. Isso é o natal para elas. Estas coisas são o verdadeiro motivo para a alegria delas, neste dia não são informadas que “delas é o reino dos céus”, que Cristo repreende duramente todos àqueles que tentam obstaculá-las de irem a Cristo. Não deveria ser assim, pois, no dia de Natal é mais um grande dia para que elas sejam lembradas das palavras de Jesus “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraçais” pobres crianças!
Não é sem razão que pessoas extremamente miseráveis, que viveram o ano todo em extrema pobreza, no natal tenham suas mesas fartas, suas geladeiras cheias de bebidas, um imenso peru ou grande pernil assando no forno, crianças miseráveis agora recebem presentes inimagináveis. E da mesma maneira que o povo blasfemou no deserto pela falta temporária de comida e bebida, nos esquecemos de Deus por um instante de mesa farta e geladeira cheia.
E o Papai Noel, o bom velhinho, o que dizer dele? Uma figura até simpática, bondosa, sempre sorridente, cheia de alegria e que traz esperanças de coisas boas. Mas até que ponto isso é verdade, é real? Mas este bom velhinho que aparece sempre sorridente e feliz, parece que não conhece o mundo que eu vivo, o mundo real da dor e do sofrimento. Por isso, estou com John Stott quando disse “o único Deus que eu creio é aquele que Nietzche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. Porque no mundo real da dor, como adorar um Deus que fosse imune a ela?        O crucificado é Jesus por mim. Aquela figura que por um tempo, esteve solitária, retorcida, torturada sobre a cruz, com pregos lhe atravessando as mãos e os pés, com as costas dilaceradas distendidas, a testa sangrando nos pontos perfurados por espinhos, a boca seca, sedenta ao extremo, mergulhada na escuridão do esquecimento de Deus. O crucificado é o Deus por mim!” Este sim, enfrentou o mundo real da dor e do sofrimento, da vida e da morte, o mundo que eu vivo.
No Natal celebramos o dia que o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade Santa, colocou de lado a sua imunidade para ser o Emanuel, para sentir a nossa dor, para sofrer a nossa morte, para ser tentado em todas as coisas, para que pelas “suas pisaduras fôssemos sarados”. Ele entrou no mundo real de carne e sangue, lágrimas e morte, se alegrou e chorou entre os homens.
Não foi por mal que Deus nos visitou na pessoa de seu Filho Jesus, mas foi para nos salvar, foi visando uma vida abundante para nós. O nascimento de Jesus faz com que nossos sofrimentos se tornem mais suportáveis à luz do Cristo crucificado.
As pessoas precisam saber disso. E que nesse Natal, ainda que a mesa esteja farta, ainda que o coração esteja cheio de alegria pelos familiares e amigos, ainda que haja confraternização e troca de presentes, ainda que as frutas decorem uma bela mesa no centro da sala, EU ME ALEGRAREI NO SENHOR. E mais que isso, todos os que estiverem comigo irão ouvir esta linda história de amor que começou antes na eternidade, manifestou-se na plenitude dos tempos com a encarnação e nascimento de Jesus, teve o seu ápice na sua morte e ressurreição.
E você? Lembre-se: se você se calar, é possível que as pessoas passem um Feliz Natal com você e sem Jesus. Se você se calar, é possível que a mesa farta, que as comidas gostosas, que o prazer de rever os parentes, tome o lugar de Cristo; mas, se você não se calar, o Cristo será lembrado, e a sua festa terá sentido.
“Então, bom natal...” Desejo a você sim uma mesa farta (a menos que o contrário seja absolutamente necessário) e, mais que isso, muito mais que isso, Eu desejo a você um Feliz Natal Com Jesus.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Dia Da Esposa De Pastor


Transcrevo abaixo texto de Charles Spurgeon 1834-1892.
“Se eu fosse uma jovem, e estivesse pensando em casar-me, certamente não me casaria com um ministro da Palavra, porque a posição de esposa de ministro é muito difícil para qualquer mulher. As igrejas não pagam dois salários aos pastores casados, um para o marido e outro para sua esposa; mas, em muitos casos, também procuram pelos serviços da esposa, quer estejam pagando por isso ou não. Também é esperado que a esposa de um pastor saiba tudo sobre a igreja, e, olhando por outro prisma, não é obrigação dela saber; no entanto, para algumas pessoas, ela é sempre culpada, tanto por saber tudo ou por não saber nada. Suas obrigações resumem-se a estar sempre em casa para atender a seu marido e sua família, e estar sempre fora de casa, visitando os membros da igreja, ou fazendo toda sorte de coisas por ele! Bem, é claro que isto é impossível; ela não pode estar à disposição de todos, e nem espera-se que ela agrade a todos. Seu marido não conseguiria fazer isto, e eu penso que ele seria um grande tolo, caso o tentasse; também estou convencido de que, se o marido não pode agradar a todos, muito menos o pode sua esposa. Certamente sempre haverá alguém descontente, especialmente se este alguém tinha esperanças de se tornar esposa de pastor. Dificuldades surgem continuamente até mesmo nas melhores igrejas; e, como disse antes, a posição da esposa do pastor é sempre muito difícil.
No entanto, penso que seu eu fosse uma jovem cristã, me casaria com um pastor cristão, caso eu conseguisse, porque existiria aí uma oportunidade de se realizar tantas boas obras, ao auxiliá-lo em seu serviço para Cristo. É uma grande ajuda para a causa de Deus manter o pastor em boas condições para seu trabalho. É função da esposa cuidar para que ele não esteja desconfortável em casa, a fim de que possa dar o máximo na preparação da pregação. A mulher cristã que desta forma ajuda seu marido a pregar melhor, é ela mesma uma pregadora da Palavra, ainda que nunca fale em público, tornando-se então extremamente útil para a igreja de Cristo, comprometida com o trabalho de seu marido”.       

Dia Da Bíblia


A Bíblia é a biblioteca do Espírito Santo; é o próprio Deus pregando; é o Livro didático da Escola do Espírito em que nós aprendemos tudo o que é necessário para a salvação em Cristo Jesus, e para as boas obras. A Bíblia é o instrumento de Deus para a nossa transformação, assim, quando lemos a Bíblia também somos lidos por ela “Enquanto interpretamos a Escritura, ela nos interpreta. Esquadrinhamos o texto, e o texto nos esquadrinha, expondo as nossas crenças, experiências e segredos”.
            Por toda a história da humanidade percebemos a influência da Bíblia. Conta-se de um ateu que chegou em uma ilha e começou a ensinar que Deus não existe e zombava das Escrituras e da fé dos moradores daquela ilha. Logo, o chefe da tribo lhe chamou e disse: Está vendo aquele forno antigo? Nele nós assávamos seres humanos para comer. Há muito tempo aprendemos na Bíblia que não devemos mais fazer isso. Mas, se o que diz é verdade, então, voltaremos às antigas práticas e o jantar de hoje será você! Mas, graças a influência transformadora da Bíblia na vida daquela tribo aquele ateu pôde ser convidado para jantar e não para ser O jantar.
            A Bíblia como diz o prefácio à Bíblia de Genebra é “... a luz para os nossos caminhos, a chave para o reino dos céus, nosso consolo na aflição, nosso escudo e espada contra satanás, a escola de toda sabedoria, o espelho em que contemplamos a face de Deus, o testemunho do seu favor, e o único alimento e nutrição de nossas almas”    A Bíblia é o livro por excelência, inspirado por Deus, mas escrito por homens; concebido nos céus, mas nascido na terra; odiado pelo inferno, mas pregado pela Igreja; perseguido pelo mundo, mas crido pelos eleitos de Deus.